18 de jun de 2009

Modelos negras fazem protesto por cotas no SP Fashion Week

(Thaiz Sabbagh - Da Redação Multimídia)
foto: Divulgação/SPFW
Modelo negra no desfile da marca Priscila Darolt
Modelo negra no desfile da coleção Priscila Darolt
A polêmica das cotas, que primeiramente levantou bandeira para vagas nas universidades, agora também está nas passarela. Nesta quarta-feira (17), a associação franciscana Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) organizou um desfile-manifesto no parque Ibirapuera, onde o São Paulo Fashion Week é realizado. A passarela, montada debaixo da marquise do MAM (Museu de Arte Moderna), contou apenas com modelos negras e provou que não é por falta de beleza afrodescentes que as marcas deixarão de "colorir" seu casting, quase sempre monocromático, já que os modelos brancos são a maioria.

Aliás, não vai ser apenas uma questão de escolha, mas de obrigação também. Conforme um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado há menos de um mês entre o Ministério Público e a organização do SPFW, 10% dos modelos de cada desfile devem ser negros, afrodescendentes ou indígenas.

O inquérito se baseou em reportagens da Folha de S.Paulo feitas em janeiro de 2008. Dos 344 modelos que desfilaram naquela temporada, apenas oito (2,3% do total) eram negros, conforme contagem feita pelo jornal. A Educafro também quer fiscalizar o cumprimento da "cota". Pediu dois convites por desfile à SPFW, para poder contar o número de negros - o que nem mesmo a Promotoria planejou fazer. Caso a quantidade de 10% por desfile não seja atingida, a organização da pode ser multada em R$ 250 mil. Até 30 dias após o fim da temporada, o evento terá de elaborar uma relação completa dos modelos que desfilaram, apontando o nome dos "que se inserem no critério", como diz o TAC. É possível, porém, justificar o descumprimento: o Ministério Público aceita, por exemplo, que a alguns temas de desfiles não cabe a participação de negros. Apesar da nova lei, neste primeiro dia de evento, é ainda pouco perceptível essa miscegenação nos desfiles.

Cachê menor

O agente Helder Dias, da HD, agência especializada em modelos negros do país disse em uma matéria para a Folha de S.Paulo que o cachê das modelos negras é menor, isso quando pagam alguma quantia. Dias conta que, em média, as modelos brancas costumam ganhar R$1.500, já negras R$ 400,00. É o caso da modelo Juliana Nepomuceno, 18, que apesar do currículo internacional, vai ganhar esse valor para desfilar para a grife Ronaldo Fraga, na SPFW.

"A maioria das modelos negras não ganham nada. Nesses nove anos de HDA eu só ouço isso, que as modelos não têm perfil e quando desfilam é para divulgar e dar visibilidade, não tem cachê. Quando tem cachê, demora cinco meses para receber", diz.

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